segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A Anti Magna Carta Brasileira



Algumas estórias de ficção científica e até de gibis já especularam sobre a existência de universos paralelos quase iguais a este universo, só que este mundo paralelo seria um espelho do nosso mundo com os princípios e leis invertidos.  A Liga da Justiça, Jornada nas Estrelas e Fringe já adentraram neste universo paralelo.  Nestas estórias, o universo paralelo geralmente é distópico onde a população sofre com a tirania de seus governantes.  O Brasil de Dilma Rousseff parece ter migrado a este universo paralelo com a PLN 36 se formos comparar essa aberração a um dos documentos mais importantes já concenbidos no mundo ocidental que é a Magna Carta inglesa de 1215.

Neste ano de 2015, o Reino Unido irá celebrar 800 anos deste documento, apesar de quase inteiro caduco.  Das suas mais de 60 cláusulas, apenas 4 continuam vigentes, mas são cláusulas importantes que garantem liberdades aos indivíduos e à igreja.  Independente de sua relevância atual ou não, a Magna Carta foi um marco simbólico na história deste país no que diz respeito a impor limites à monarquia inglesa, inclusive no que diz respeito a cobrança de impostos.

Entretanto, o que se perpetuou daquela época, quanda a ilha era reinada por João Sem Terra, foi o mito de Robin Hood.  O rei de acordo com vários historiadores era um sujeito cruel e mesquinho que foi o antagonista da figura mitológica que roubava dos ricos para dar aos pobres.  A lenda de Robin Hood serviu para muitos pilantras justificarem seus atos criminosos em prol de um bem estar universal.  Mesmo que isso passasse por cima de estabilidade jurídica, direito à propriedade e segurança de inocentes.  E são esses pilares de uma sociedade justa que grupos terroristas que promoveram assaltos a bancos passaram por cima.  Uma desses membros de associações criminosas até se tornou presidente desta república!

O que realmente deveria ter sido mais disseminado mundialmente foi que o Arcebispo de Cantebury redigiu a Magna Carta, um documento que serviu como um tratado de paz entre o Rei João e barões rebeldes.  Este documento foi em seguida desrespeitado por ambos os lados e anulado pelo Papa Inocêncio III e demorou mais de 80 anos para ser efetivado, após ter sido revisado.  Entre os itens do tratado estavam limitações à capacidade do rei taxar seus súditos, em suma o rei não podia simplesmente cobrar mais impostos para cobrir seus gastos.  Este princípio é de extrema importância e sustenta até hoje as democracias mais importantes do mundo.  Consequentemente, qualquer líder de uma nação democrática tem que respeitar os limites orçamentários, não pode simplesmente sair gastando e cobrando o que não pode.  Aplicado à realidade econômica, estes líderes não devem também se endividar e imprimir dinheiro além de limites.

No Brasil, criamos a Lei da Responsabilidade Fiscal que impede o governo de gastar mais do que pode.  Foi um dos maiores avanços deste país nos últimos anos que impediu a proliferação de administrações levianas que simplesemente quebravam municípios, estados e até a nação.  Quem sempre pagou pela irresponsabilidade destes administradores foi a população com inflação, impostos e paralisação de serviços essenciais.  O PT foi contra esta lei e os motivos se tornaram claros depois que Dilma assumiu o governo.

Eis que após a eleição veio a bomba que alguns suspeitavam, o governo Dilma gastou mais do que podia.  E escondeu as consequências de sua irresponsabilidade até onde pode.  Quem paga por esta sangria financeira é claro que é a população brasileira, mas de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, Dilma deveria ser resposabilizada, afinal não é porque assumiu a presidência que ela pode estar acima da lei.  O Brasil precisa do exemplo que seus líderes se enquadrem não só na lei mas como em princípios básicos da boa administração.


Mas o que se viu na PLN 36 é justamente o oposto do que foi feito com a Magna Carta.  Apesar do conteúdo desta aberração apenas mudar a meta de superávit, implicitamente cria-se um monstro de dimensões ainda desconhecidas.  Da mesma maneira que leis novas não podem punir retroativamente, elas não devem inocentar retroativamente aqueles que consicentemente transgrediram a constituição.  Os nossos “barões nada rebeldes” rasgaram o equivalente da “Magna Carta” e deram um cheque em branco para Dilma em troca de cerca de R$ 750 mil.  É um custo alto pago pelo executivo para livrar a cara de sua líder, mas o custo mais alto é o que vai ser pago pela população brasileira.  A PLN 36, uma anti-Magna Carta tupiniquim, cria insegurança jurídica, incentiva cada vez mais a chantagem do atual Poder Legislativo brasileiro, premia a incompetência e consagra um governo que a cada ano que se mantém consegue corroer mais as fundações deste país.  Os barões ingleses pagavam impostos à coroa e por isso se rebelaram, os nossos barões recebem dinheiro da nossa “coroa”.  Bem-vindos à realidade do universo paralelo.

domingo, 7 de dezembro de 2014

O Ocaso da Fórmula 1



A temporada de Fórmula 1 terminou neste dia 23 de novembro.  Lewis Hamilton ganhou seu segundo título, Felipe Massa disputou a liderança da corrida, Sebastian Vettel fez sua última corrida na Red Bull e Fernando Alosno fez também a sua última na Ferrari.  Mas a notícia mais importante na minha opinião vem do final do grid.  Duas equipes nanicas, Caterham e Marussia, finalmente abriram o bico, a primeira não se sabe se vai continuar em 2015 e a segunda se foi de vez.  Eram equipes inexpressivas e que dificilmente fariam diferença na Fórmula 1.  Mas chamou a atenção para a crise financeira da categoria e a chiadeira de Sauber, Lotus e Force India é preocupante.  Considerando as encarnações anteriores dessas equipes, lembremos que por elas passaram Ayrton Senna, Kimi Raikkonen, Fernando Alonso, Sebastian Vettel, Jenson Button, entre outros.  Michael Schumacher correu pela Sauber no Mundial de Protótipos, pela Force India, quando esta era Jordan, e pela Lotus, quando esta era Benetton.  São equipes históricas e de tradição de revelarem bons pilotos.  Quando essas equipes reclamam desta situação, talvez seja o momento de ver se estas reclamações têm mérito e se são o sinal de algo mais sério.

A Fórmula 1 já foi auto-proclamada o 3º evento esportivo mais importante do mundo, só perdendo para a Copa do Mundo da FIFA e as Olimpíadas de Verão.  Hoje sua audiência está diminuindo a cada ano e envelhecendo.  Mas ao invés de procurar soluções, o supremo Bernie Ecclestone debocha das redes sociais e dos jovens consumidores, alegando que estes não conseguem comprar relógios caros e abrir contas em bancos.  Alguém esqueceu que a atual geração de Twitter e Facebook daqui a 20 anos estará comprando relógios caros e abrindo contas em mais de um banco, mas provavelmente não estará assistindo Fórmula 1 nos domingos, nem no autódromo e nem na TV.  Existe uma grande possibilidade que a Fórmula 1 simplesmente não exista daqui a 20 anos.

Muitas teorias podem ser elaboradas para o ocaso da categoria, mas a realidade está aí para quem quiser ver.  A Fórmula 1, desde o final da década de 1970 quando a categoria se tornou mais lucrativa e bem sucedida, passou a ter uma maior participação das montadoras de automóveis.  Estas haviam debandado da categoria após o horrendo acidente nas 24 Horas de Le Mans de 1955 que matou mais de 80 pessoas.  Os custos da categoria começaram a aumentar geometricamente nas décadas de 80 e 90, sendo que equipes tradicionais como Brabham, Lotus, Ligier e Tyrrell se viram obrigadas a fechar as portas.  Em seus lugares vieram as equipes oficiais das montadoras e em 2008 o campeonato tinha Ferrari, Renault, Honda, Toyota, Mercedes e BMW, estas duas últimas acionistas majoritárias de McLaren e Sauber, respectivamente.  O orçamento anual de uma equipe dessas ultrapassava fácil os US$200 milhões.  A opulência e o desperdício reinaram.  A categoria deixou de ser disputada por equipes independentes, cujos alguns donos até hipotecaram casas para poder manter as equipes vivas, que foram substituídas por equipes controladas por uma montadora, cujos acionistas muitas vezes se mostravam descontentes com os gastos na Fórmula 1.  Veio o estouro da bolha imobiliária em 2008 e as montadoras começaram a debandar.

Nesse meio tempo, surge o fundo CVC para adquirir os direitos comerciais da Fórmula 1 em 2005, o que agravadou a crise posteriormente.  O CVC em sua ganância de maximizar seus lucros neste investimento esportivo deixa apenas algumas “migalhas” para as equipes.  As montadoras, no auge de suas presenças na categoria, já haviam mostrado profunda revolta contra este status quo.  Hoje as montadoras como Toyota e BMW disputam outras categorias de esporte a motor com custos bem menores e no qual estas montadoras podem realmente usar tecnologias úteis ao desenvolvimento de seus veículos de passeio.

O resultado é que os custos da Fórmula 1 continuam em patamares altos, as receitas das equipes são minadas pelo próprio parceiro comercial, e para piorar o espetáculo esportivo muitas vezes fica a desejar.  A chance de em 2016 o grid ser formado por menos de 15 carros não é nada desprezível, muito pelo contrário.  A categoria sempre atraiu equipes que substituíam outras que desistiam da categoria.  A única nova no horizonte é a americana Haas, que seria uma irmã da Stewart-Haas que disputa a NASCAR nos EUA.  Indago se Gene Haas, dono da equipe, tem realmente noção daquilo em que está se metendo.

Não é difícil de enxergar os motivos que me levam a crer que o esporte que eu sou fã está em perigo.  O modelo adotado pela categoria resultou em aumentar os custos, atrair parceiros cujos envolvimentos com o esporte era frágil, dificultar a situação daqueles realmente envolvidos, não procurar atrair novos consumidores e não conseguir melhorar o produto oferecido.  Por certa ótica, a questão não é a possibilidade da Fórmula 1 acabar e sim se ela realmente merece continuar existindo.  Qualquer empresa que em seu auge de sucesso comece a tomar um modelo empresarial equivocado e muito arriscado está sujeita ao fracasso, esta é uma das regras do capitalismo mais básicas.

Se acabar, o CVC irá investir em outro negócio com parceiros que não estão atentos ao que foi feito na Fórmula 1, a Mercedes continuará produzindo seus carros de luxo, a Ferrari e a McLaren continuarão vendendo seus carros esportivos de luxo, a Red Bull estará focada em vender bebida energética e boa parte do resto fechará as portas.  A cidade de Hinwil na Suíça é sede da Sauber que emprega boa parte dos 10 mil habitantes dela sofrerá um bocado, como outros envolvidos na Fórmula 1.  Os fãs que sobraram da categoria ficarão órfãos sim, mas se ocuparão de outra maneira nos domingos.  É a tal destruição criativa do economista austríaco Joseph Schumpeter.  Eu espero estar sendo pessimista e continuar assistindo as corridas no fim de semana.  Que a FIFA e o COI estejam alertas para que seus eventos no futuro continuem sólidos.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

A Personalidade do Mercado Financeiro



A retórica esquerdista desde sempre demonizou duas entidades as elites e o mercado financeiro.  A primeira é um ser abstrato e quase mítico formada por um grupo de pessoas que beiram a pura maldade e lucram com a miséria alheira.  Também atende pelo nome de burguesia, termo mal empregado por sinal.  Este é um assunto para um tópico futuro.  Já o mercado financeiro não é uma entidade mítica e apesar de ser um tanto abstrata é categorizada por homens sem rosto de terno e paletó com pastas cheia de dinheiro e que também lucra com a miséria alheia.  É também caracterizado como uma entidade malígna.  Aloízio Mercadante, alguém que consegue ter noções de economia piores que Guido Mantega, veio com a seguinte pérola “A nossa prioridade é emprego e renda.  A nossa agenda não é a do mercado.”  Fico realmente intrigado se ele acredita nesta pérola ou se faz parte de sua retórica demagógica habitual.

O mercado financeiro é algo extremamente necessário para o desenvolvimento de uma nação há muito tempo.  É o local de encontro daqueles que têm recurso disponíveis para investimentos com aqueles que precisam de recursos para tocar um negócio ou simplesmente começar um.  Se não houvesse um mercado financeiro, muitas oportunidades de negócios simplesmente não existiriam, consequentemente muitos empregos não seriam gerados e a renda de trabalhadores seria comprometida.

Sim, existem no mercado financeiro muitos especuladores gananciosos que contribuíram significativamente para a quebradeira de 2008, e também nações que substituem a arrecadação de impostos pela especulação financeira, mas muitos recursos que giram no mercado financeiro são de trabalhadores assalariados ou autônomos que pouparam no fim do mês e procuram uma oportunidade de fazerem seu dinheiro render mais, inclusive investindo em fundos de pensão.  Em outras palavras não é só capital oriundo dos tubarões e sim de lambaris, embora o investimento de ambos mereçam respeito igual. 

O dinheiro investido no mercado financeiro é, portanto, muitas vezes oriundo do esforço da poupança de ricos e até pobres.  Ressalto o óbvio que esforço de poupança exige sacrifícios de evitar tentações consumistas.  Não é dinheiro dado à caridade e sim dinheiro investido com uma promessa de retorno.  O risco existe é claro, por isso que rendimentos em aplicações de risco tendem a render mais do que outras como caderneta de poupança.  O que mantém o mercado financeiro saudável é o respeito ao dinheiro do investidor e a responsabilidade também do investidor de não investir em oportunidades que careçam da mínima credibilidade.  Em suma, lembro-me de uma frase que meu professor de economia na faculdade gostava de dizer: “Capital não leva desaforo para casa”.

Distorções sempre ocorrerão em função do mercado financeiro.  Em tempos de fartos rendimentos, alguns profissionais arriscam largar seus empregos para virarem pequenos especuladores.  Ou simplesmente expõem boa parte de seus patrimônios ao risco desnecessário.  É o direito de cada um exercer estas opções, mas o índice de fracassos não é baixo nestes casos.  De novo, quantas pessoas perderam tudo ou quase tudo na crise de 2008?  O direito a ser inconsequente é uma liberdade que conquistamos e não podemos perder.

O mercado financeiro não é uma entidade maligna, mas tem seus problemas de personalidade sim.  Uma vez uma consultora de investimentos definiu esta personalidade como bipolar.  Eu diria que o mercado financeiro é impulsivo, muitos vezes aventureiro, mas é também rancoroso.  Quando em 1989, Lula prometeu o caos financeiro com suas propostas absurdas, o que nos levou a eleger um presidente despreparado e aventureiro, o mercado financeiro não esqueceu tão fácil destas promessas.  Foi preciso de muito marketing, esforço e mudança de postura para convecer o mercado financeiro que as promessas de 1989 seriam substituídas por uma política econômica séria.  O resultado foi que o mercado financeiro passou a nos olhar com bons olhos e ganhamos até grau de investimento.  Nada como responsabilidade e respeito ao dinheiro alheio para que negócios viessem para estas terras trazer mais empregos e mais rendas. 

Mas o mercado financeiro carece às vezes de inteligência, de novo vide 2008, e não percebeu que há tempos que as coisas estavam degringolando.  Em 2010, elegemos uma das pessoas mais ineptas possíveis para a presidência.  Alguém que sabe menos do que Mercadante e Mantega sobre economia, mas acha que sabe mais do que todos sobre o assunto.   Foram cometidos absurdos que só mesmo os mais crédulos acreditariam que poderiam dar certo.  O resultado é que o mercado financeiro deixou de acreditar em nós.  Não respeitamos o dinheiro alheio, o capital levou desaforo e agora os investidores não nos olham mais com bons olhos.  Podemos perder até o grau de investimento no médio prazo, ou até curto.  Fica a pergunta para o Mercadante, com que dinheiro serão gerados ou até mantidos os empregos e a renda do trabalhador?  Não vai ser com aquele dos investidores cansados de serem demonizados e destratados aqui.  Estes vão para outro lugar que são respeitados, gerar empregos e renda lá.  Para trazer estes investidores de volta, vamos precisar mais do que Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, precisaríamos de Dilma Rousseff administrando de novo uma loja de R$1,99 onde causaria bem menos estragos do que atualmente.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O Lobo, O Cordeiro, Lula e a Operação Lava-Jato



Lembro-me da novela Roque Santeiro escrita por Dias Gomes.  A estória retratava muito bem como as camadas mais ignorantes do país endeusavam e idolatravam qualquer um, mesmo aqueles que não mereçam esta idolatria.  Roque Santeiro jamais imaginava que se tornaria o mito que ele se tornara e em algumas ocasiões tentou contar a verdade, mas acontecia algo que o impedia.  Até que foi embora aceitando que se revelasse a verdade causaria uma grande decepção entre aqueles que o idolatravam privando os de toda as suas esperanças.  Ou simplesmente não acreditrariam que ele nunca foi herói.

Nunca antes o Brasil testemunhou uma investigação policial com resultados tão impressionantes como a Operação Lava-Jato.  Se realmente isso vai resultar em condenações e em ressarcimentos ao erário público e à própria Petrobras, ninguém sabe ao certo.  Mas o que se tem certeza é que há muito mais para se investigar e para se revelar.  Os empresários e executivos presos devem ter informações que devem chocar até mesmo aqueles que se julgam inabaláveis.  Tenho a impressão que como no filme Matrix escolhemos a pílula vermelha de Morpheus e vamos descobrir até onde vai a toca do coelho.  Mesmo assim muitos de nós suspeitamos que aqueles que sempre estiveram em posição de comando mas sempre alegaram ignorância na verdade estavam no cerne de toda a articulação criminosa.

E se as denúncias do doleiro Alberto Youssef forem corroboradas pela miríade de recentes presos?  E quanto ao fato que os dois ignoraram o TCU que avisou sobre irregularidades na Petrobras?  O que será de Dilma e de Lula?  A primeira poderá ter um processo de impedimento (ou impeachment) contra ela se o PMDB julgar que poderá se beneficiar de rifar a aliada.  Na minha opinião, é uma pessoa (ou poste) sem muito carisma ou verdadeiros aliados que é conveniente ao projeto de poder do PT mas descartável até um certo ponto.  Já Lula é diferente.  É um dos pilares desse projeto de poder e um dos mentores dele.  Mas mais do que isso, Lula é o elo de ligação entre a articulação petista e a massa de manobra que deu a uma parcela de votos crucial para Dilma nesta última eleição.

Qualquer um que trabalhou direta ou indiretamente com a Petrobras já desconfiava que 1+1 não somavam 2.  Eu tive contato por quase 4 anos com projetos para Petrobras e essa era uma desconfiança disseminada.  Acho quase impossível que alguém na ponta de cima da Petrobras não desconfiasse também ou simplesmente não estivesse envolvido.  Pelo que se anda apurando, estavam envolvidos até o pescoço.  Reajo com muita incredulidade quando Lula e Dilma falam que não sabem de nada.

Mas os “devotos” de Lula esperam a negativa deste e de seus asseclas ansiosamente para se sentirem seguros de que seu ídolo é inocente.  Sim, Lula para muitos é um ídolo, um herói e um mito.  Não há possibilidade de ele ser corrupto ou um hipócrita, afinal ele é o campeão dos miseráveis.  Então primeiro será alegada ignorância dos fatos.  E se isso não colar, será usada a desculpa que ele sempre soube mas a Petrobras sempre foi corrupta, com ênfase que isso começou na presidência de FHC, e Lula tentou mudar isso, mas não teve tempo hábil.  E se isso também não funciona, será dito que a corrupção na Petrobras é necessária para se ajudar os desfavorecidos.

Em suma, qualquer desculpa dada por Lula, por menos crível e mais incoerente, que seja, é aceita imediatamente por uma boa parcela de seus fãs.  Estes acharam sentido ou lógica mesmo onde não há nenhum!  E estes não se restringem só aos menos favorecidos.  O povo brasileiro parece muitas vezes acreditar que só com uma liderança de alguém muito virtuoso o país poderá deslanchar, mas não darão o braço a torcer que escolheram a pessoa errada para depositarem suas esperanças.  É possível e até provável que as investigações atuais atinjam Lula, mas o apoio de boa parcela de seus eleitores não será arranhada. 

Uma das fábulas de Esopo era sobre o Lobo e o Cordeiro, no qual o Lobo acusava o Cordeiro de vários mal-feitos.  Entre eles, o Lobo alega que o Cordeiro havia contaminado o rio que usava para beber, porém o Cordeiro alega que não poderia ser ele pois tomava água do rio correnteza abaixo de onde moravo o Lobo.  Então o Lobo o acusa de tê-lo xingado há um ano atrás, e o Cordeiro refuta dizendo que não tinha sequer um ano de idade.  Cansado das contra-argumentações lógicas do Cordeiro, o Lobo o mata no final.  A moral é que os tiranos não precisam de desculpas para cometerem tiranias.  Se Esopo tivesse que reescrever sua fábula conhecendo Lula e o efeito que este tem sobre seus apoiadores, o Lobo estaria tomando água contaminada e imaginado ouvir elogios de quem nunca o elogiou.  O Cordeiro estaria o avisando disso, mas o Lobo não o escutaria.  Até o ponto que o Lobo mataria o Cordeiro por não querer ouvir mais sua argumentação.  A tirania e a fé cega são coisas distintas, mas padecem de surdez e irracionalidade.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

25 Anos Depois, Sobram Pedreiros




Nestes últimos dias, falou se muito do aniversário de 25 anos da queda do muro de Berlim, um evento simbólico que escancarava para o mundo a derrocada do chamado Segundo Mundo (termo pouco usado), ou o bloco comunista que girava em torno da União Soviética.  As imagens de alemães ocidentais e orientais se encontrando à medida que o muro ia se dissolvendo a marretadas foi marcante.  Mais do que uma geração de alemães foi separada pela partilha do país no final da Segunda Guerra Mundial e mesmo assim os habitantes da extinta República Democrática Alemã não hesitaram um momento em se juntar à República Federal da Alemanha, que aceitou pagar uma conta salgada para se possibilitar essa união.  O gesto de uma habitante de Berlim Oriental que em seguida à queda do muro foi devolver um livro a uma biblioteca do lado ocidental no qual o pegou emprestado antes de erguerem o muro demonstrava esse sentimento de união.  Pode-se argumentar que esta reunificação resultou do fracasso retumbante do modelo comunista.  O fim da Guerra Fria anunciava o término de uma das experiências mais nefastas já presenciadas na história da humanidade que matou milhões de pessoas, privou gerações de liberdades e direitos mais básicos e quase causou o apocalipse nuclear.

Apesar de vários economistas terem refutados as teorias de Karl Marx, Sigmund Freud foi talvez aquele que melhor argumentou contra o comunismo afirmando que as  premissas psicológicas no qual se baseiam o comunismo são insustentáveis.  Mas os psicólogos que me expliquem o porquê de 25 anos depois da queda do muro de Berlim vemos ainda várias pessoas acreditando que existem fórmulas utópicas para o paraíso na Terra.  Hoje se fala menos em comunismo, mas ainda é um termo vivo, e mais em socialismo.  Porém, continua-se a acreditar que este tipo de modelo sócio-econômico pode levar a outros resultados que não sejam a ruína de uma nação.  Em suma, eu pergunto o que se passa na cabeça de um indivíduo que acha que qualquer coisa similar ao marxismo pode dar certo?

Não acho que governantes de nações socialistas sejam socialistas per se, pois a história recente mostram que estes se tornaram a elite dominante o que, obviamente, é muito conveniente para eles.  Portanto, quando vejo um líder bolivariano, ou político com aspiração bolivariana, exaltando o socialismo, eu vejo alguém se esbaldando no poder ou procurando se esbaldar no poder.  Mas e aqueles que não estão na elite mas acreditam piamente que o socialismo irá trazer justiça social a todo povo?  Uma crença intrinsecamente equivocada pois não traz justiça social e sim injustiça privando um dos mais importantes direitos que é o à propriedade. 

Não sou psicólogo, mas creio que este tipo de indivíduo cria uma ilusão forte a qual se agarra e o impede de enxergar a realidade.  Conheço pessoas inteligentes e trabalhadoras que acreditaram em promessas da esquerda mais socialista.  Alguns realmente revisaram seus conceitos mas outros permanecem com esta crença.  Um dos motivos seria o do contato com a miséria e o sofrimento alheio.  É difícil não se comover ao vermos pessoas que têm pouca ou nenhuma esperança de uma vida minimamente digna.  Muitos de nós procuramos ignorar esta situação para focarmos em cuidar de nossas próprias vidas, para o qual problemas também não faltam.  Alguns poucos em gestos realmente altruístas se dedicam a diminuir o sofrimento alheio, algumas vezes de maneiras pouco eficientes.  Mas outros talvez como maneira de atenuar o desespero de ver uma situação angustiante resolvem endossar políticos que oferecem “soluções fáceis” para acabar com os problemas sócio-econômicos da população mais desfavorecida.  E nisso culpam a tal da elite pelas injustiças sociais.  Conheço gente que está entre os 5% mais ricos da população mas fala mal da elite, sem perceber que pertencem a esta!  Suponho eu, que o endosso ao socialismo alivie seus sentimentos de culpa e possam continuar a tocar suas vidas.

Mas isso explica só uma parcela.  Outros por terem inveja de pessoas bem sucedidas, desejam nada menos que a ruína alheia garantida pelos ideais socialistas.  Afinal a miséria gosta de companhia.  Há também aqueles que são desprovidos pela mais completa ausência de noção e realmente crêem que os norte-coreanos vivem melhor que seus vizinhos meridionais, aqueles do país “marionete do império americano”. 

Nesta análise excluí aqueles miseráveis que endossam qualquer um que lhes der qualquer assistência para aliviarem seu sofrimento imediato, e também aqueles que lucram com um sistema socialista por usufruirem de poder ou simplesmente de ganhar sem precisar trabalhar.

O problema é que há muitos simpatizantes de políticas socialistas e de tendências radicais de esquerda.  Vivem numa realidade onde o Muro de Berlim continua a existir, Cuba é o paraíso e a Rússia é o país que irá combater o imperialismo americano.  Mesmo sem saber, trabalham para reconstruir Muros de Berlim, só que aqui mesmo em terras brasileiras.  Sobram pedreiros nestas terras para complicar a vida de todos nós.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O Estelionato Eleitoral da Terra dos Brinquedos



Menos de duas semanas após a eleição, Dilma “nos presenteou” com aumento da taxa de juros, das tarifas elétricas e outro da gasolina está por vir.  Não estou surpreso.  Qualquer um que lembrasse da história recente desse país e um pouco de economia já esperava por esses “presentes de grego”.  No início de 1986, surgiu o Plano Cruzado que aliviou a inflação com o congelamento de preços até a semana seguinte da eleição daquele ano, quando veio o Plano Cruzado 2 que promoveu inúmeros aumentos a produtos com preços represados e que estavam em falta no mercado.  Em 1998, Boris Ieltsin declarou a moratória russa que deixou no vermelho inúmeros investidores e o Brasil em um momento vulnerável se tornou foco das agências de risco, que erraram feio ao endossarem a Rússia, que previram destino semelhante ao Brasil.  Diante de uma política equivocada de banda cambial, o Brasil perdia mais de US$1 bilhão por dia para defender a cotação contra o pânico e a especulação.  A liberação do câmbio só veio em janeiro de 1999, após a eleição presidencial e um ato de completa inconsequência de Itamar Franco.  O país teve que suportar alguns momentos tensos, como o dia 31 daquele mês, com direito a uma boataria desenfreada que só serviu a especuladores.  Em suma, esse tipo de surpresa pós eleição não é exclusivo de Dilma, mas há diferenças consideráveis desta vez.

Em 1986, a inflação escalava a níveis de 12% ao mês, e surgiu a equivocada ideia de Dilson Funaro que uma “solução mágica” resolveria facilmente o problema do aumento escorchante dos preços.  O Brasil foi duramente castigado com a aceleração da inflação nos anos seguintes.  Impressionante que um exemplo claro que soluções que visavam só atenuar sintomas de sérios desequilíbrios financeiros não tenham sido assimilados por aqueles que comandam nossa economia.  O uso da banda cambial deveria ter sido abandonado antes já em 1997, na crise dos Tigres Asiáticos, mas foi mantida, diga-se de passagem com juros reais superiores a 40% por um curto período, e a liberação do câmbio foi descontrolada.  Isso foi a demonstração que quanto mais demorada forem as ações corretivas da economia mais duro será o período de transição.

A política econômica dos últimos 4 anos foi um equívoco considerável.  A equipe econômica de Dilma, encabeçada pela própria, procurou soluções mágicas para todos os problemas econômicos brasileiros.  O aviso tinha sido dado quando a Carta Capital comemorou a saída de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central para ser substituído por Alexandre Tombini, um fantoche.  Esta equipe econômica entendeu que o problema para o crescimento do país eram os juros altos, então diminuiu-se os juros sem se preocupar com o efeito que isto iria causar ao controle da inflação, isso sem falar da armadilha do endividamento preocupante da população.  Para resolver o problema da inflação, manteve-se o preço da gasolina artificialmente baixo, independente que isto colocou a Petrobras e o setor sucroalcoleiro no vermelho.  Para se diminuir o custo Brasil e também manter a inflação baixa, se cometeu atrocidades no setor elétrico.  A Eletrobras também está em apuros, e não é a única!  Agora estamos pagando a conta destes equívocos.  As medidas tomadas recentemente eram sim necessárias para não se perder controle da inflação, que continua sem muito controle, e evitar a bancarrota de Petrobras, Eletrobras, usinas de cana de açúcar, etc.  Quem sabe um pouco de economia já esperava por isso.

O grande estelionato não foram estes aumentos, mas sim a promessa que muitos incautos acreditaram que as soluções para o Brasil seriam simples e fáceis, que apenas a boa vontade dos governantes, que eu não acredito que tenham, seria suficiente para se resolver tudo.  Os outros governos não as fizeram não porque eram equivocadas e sim porque eram a favor dos ricos e contra os pobres.  Ricos e pobres pagaram a conta agora.  Infelizmente, o Brasil não crescerá sem reformas profundas e sem uma política de investimentos sérias, pois os PACs são piadas de mau gosto.  Como em 1986 e em 1998, as medidas corretivas demoraram para serem todmadas e a situação é crítica.
Sendo franco com vários crédulos, mas lembrei da estória de Pinóquio, que foge para uma Terra dos Brinquedos com outro colega gazeteiro achando que não precisaria trabalhar e só brincaria.  Descobre que na verdade a Terra dos Brinquedos era uma armadilha e todos os gazeteiros eram transformados em burros.  Pinóquio foge antes de se transformar por inteiro em burro.  Já seu colega gazeteiro não consegue ter a mesma sorte.  Passamos tempo demais na Terra dos Brinquedos.  E desde 1986 (ou antes) estamos lá!

De Marco Antônio ao Emperador Palpatine



Um dos eventos mais marcantes da Idade Antiga com certeza foi o assassinato em 44 AC do cônsul romano Júlio César pelos auto-entitulados Liberadores no qual estava incluso seu amigo Marcus Brutus. O grande dramaturgo inglês William Shakespeare relata boa partes destes eventos em sua peça homônima Júlio César. O cônsul após vitoriosas campanhas militares se recusou a entregar seus poderes como exigia o senado da República Romana e após uma guerra civil se tornou ditador vitalício. Promoveu várias reformas, inclusive reformas agrárias, desagradando de membros do senado e outros membros da elite da República Romana. O resultado é seu assassinato onde consta a lenda que olhou para seu ex-amigo e proferiu a famosa frase “Até tu Brutus”. Shakespeare retrata um dos discursos mais marcantes da história dos discursos feito por Marco Antônio, aliado de Júlio César, poucos dias após o assassinato. Na ocasião, Brutus é o primeiro a se dirigir ao povo para discursar e racionalizar explicando o porquê de seus atos, pois Júlio César estava subvertendo o estado de direito e tentando derrubar a república. Já Marco Antônio “pede emprestado o ouvido do povo” e durante o seu discurso lê o testamento de Júlio César no qual o finado cônsul deixava para cada cidadão romano 75 dracmas, talvez algo em torno de 100 dólares. Era o que faltava para execração pública de Brutus e os Liberadores e o início de suas derrocadas. No final das contas, Brutus falhou pois o filho adotivo de Júlio César, Augusto César se tornaria o primeiro imperador romano após outra guerra civil. E Brutus ganhou merecidamente a infâmia por ser um dos maiores traidores da história da humanidade.

 Mas o que mais me chamou atenção na peça de Shakespeare foi o que ocorreu em portas fechadas após o discurso de Marco Antônio. Os aliados de Júlio César combinam entre si uma maneira de diminuir a herança de Júlio César e ficar com parte do dinheiro destinado ao povo (cidadãos romanos). Independente das reais intenções de Júlio César e seus aliados, e ressalto que este impulsionou o Império Romano para seu auge, estes pretendiam subverter a República Romana. Para o escritor italiano Dante Alighieri em sua obra prima a Divina Comédia, Brutus passaria o resto da eternidade condenado a ser mastigado por Satanás, pois havia assassinado o enviado divino para governar toda a Europa. Faltou dizer isso aos povos que as tropas de Júlio César subjugou. Sem contar que o Império Romano jamais considerou adotar algo semelhante ao sufrágio universal. A lição que tiramos da história de Júlio César é para desconfiarmos das reais intenções de atitudes demasiadamente populistas e excessivamente altruístas. Estes gestos são muitas vezes meios para se obter um apoio popular para interesses que conflitam com a liberdade e a democracia. E tenha certeza que governos que almejam projetos de poder vão agir como Marco Antônio e seus aliados, vão querer se apoderar de parte dos “75 dracmas”.

 O Império Romano também inspirou algumas obras da ficção científica, como Fundação de Isaac Asimov, Jornada nas Estrelas e a saga de Guerra nas Estrelas. Como fã da saga, lembro me do Episódio III (A Vingança dos Sith) narra o fim da guerra civil que assolava a República. Guerra que havia sido instigada em segredo pelo Chanceler Palpatine como meio para ascender ao poder, prolongando seu mandato para poder comandar as tropas republicanas. Ao fim deste episódio, Palpatine diante do senado se auto proclama o primeiro imperador do Império Galáctico sob aplausos. E a protagonista Padmé comenta que “É assim que a liberdade morre sob estrondosos aplausos.” Guerra nas Estrelas é uma obra de ficção mas chama a atenção quantas vezes na história tiranos, ditadores e déspostas ascenderam sob aplausos de pessoas cegas às reais intenções destes.

Não acho que Lula, Rui Falcão, Gilberto Carvalho e demais tenham a competência de Júlio César ou a sagacidade do Imperador Palpatine, mas não é por falta de tentativa. Não tenho dúvida que o PT tem como objetivo se perpetuar no governo minando a democracia. O primeiro sinal evidente disto é a associação repugnante com ditaduras como Cuba e Venezuela e o segundo são as seguidas tentativas de cerceamento à liberdade de imprensa, disfarçada de controle social da mídia. Mas a cereja encima do bolo é o famingerado Decreto 8243 no qual os “companheiros” pretendem continuar com voz ativa no governo mesmo que não sejam eleitos. Mesmo diante destas evidências, para uma parcela da população ir contra o atual governo é o mesmo que ir contra enviados divinos que estão aqui para olhar pelos mais desfavorecidos. Mesmo que estes enviados procurem abocanhar o erário nacional, o que fazem sem pudor. As minhas liberdades e direitos valem mais que 75 dracmas e certamente não quero vê-las serem subtraídas sob aplausos.